Feira Livre de Joaçaba se transforma em vitrine de sucesso para pequenos negócios
Projeto do Sebrae/SC, em parceria com a Prefeitura, muda a rotina de expositores e consolida a feira como referência no Meio-Oeste catarinense
É sexta-feira à tarde em Joaçaba, horário em que a Feira Livre abre as portas no espaço que ocupa há muitos anos próximo ao Parque Municipal, e a banca de Nelsa Schatz já tem fila. Ela acomoda as cucas ainda mornas sobre o balcão — o mesmo gesto que repete há mais de 25 anos —, mas hoje com um detalhe novo: boa parte dos rostos na fila ela nunca tinha visto antes. Ali perto, na banca da Valentim Biscoiteria Artesanal, Mariza Paiva vive cena parecida, colhendo o resultado de um movimento que também cresceu no fim de tarde.
No sábado, o espaço se enche ainda mais cedo. Adriana Michaito dos Santos organiza as bandejas da Delícias da Dona Adriana observando o público crescer de um jeito que, segundo ela, “há um tempo não se via por aqui”.
A cena se repete banca a banca, e por trás dela há um projeto silencioso, mas decisivo: a atuação do Sebrae/SC. Por meio de sua gerência regional, a instituição estruturou, em parceria com a administração municipal, uma iniciativa estratégica de capacitação e organização que vem redesenhando a Feira Livre de Joaçaba — e, com ela, o faturamento de quem vive dela.
Uma feira, um plano, uma virada

Nada do que se vê hoje na feira aconteceu por acaso. O crescimento na circulação de pessoas, a chegada de novos clientes e o salto no faturamento dos expositores são resultado direto de um trabalho técnico conduzido pelo Sebrae/SC, que apostou em três frentes: qualificar os empreendedores, organizar o ambiente de negócios e criar estratégias eficientes para atrair público. O espaço, tradicional na cidade e ocupado pela feira há muitos anos ao lado do Parque Municipal, se tornou também um ponto de encontro consolidado — e uma peça relevante na economia local.
Os números do presente ajudam a medir essa expansão. Hoje a Feira Livre de Joaçaba reúne cerca de 30 empresas regulares e funciona em horário ampliado, cobrindo praticamente todo o fim de semana: sextas-feiras, das 13h às 18h; sábados, das 8h às 19h; e domingos, das 8h às 12h. O sucesso é tanto que já existe uma lista de espera de novos interessados, avaliados e aprovados periodicamente para ocupar um espaço na feira.
Para a gerente regional do Sebrae/SC no Meio-Oeste, Gelsi Daros, o próximo capítulo dessa história já está definido: sustentar o que foi conquistado.
“O nosso compromisso é oferecer suporte contínuo aos expositores, garantindo que esse crescimento expressivo da feira traga sustentabilidade, profissionalização e desenvolvimento duradouro para os pequenos negócios locais”, destaca Gelsi.
Foi essa mesma lógica que orientou o projeto desde o primeiro rascunho, explica o analista de negócios do Sebrae/SC, Alisson Stroher. Mais do que atrair movimento, a proposta sempre foi aproximar quem produz de quem consome.
“Este projeto foi estruturado desde a sua concepção para organizar o ambiente de negócios da feira e valorizar a nossa produção regional, conectando o produtor diretamente ao consumidor com qualidade e eficiência”, aponta Alisson.
As vozes que confirmam a transformação

Volte ao espaço da feira livre numa sexta à tarde ou num sábado e cada banca conta um pedaço da mesma história.
Conhecida como “a mulher das cucas”, Nelsa Schatz atende na feira toda sexta-feira à tarde e vê na chegada de um público novo a confirmação de que tradição e renovação podem andar juntas. “A gente percebe que o nosso produto tem uma boa aceitação e tivemos um aumento de cerca de 40% nas vendas”, comemora.
Também na sexta-feira, vizinha de banca, Mariza Paiva, da Valentim Biscoiteria Artesanal, vê rostos novos toda semana — e neles, o sinal mais claro de que algo mudou. “Foi totalmente perceptível o incremento de clientes novos que vêm para conhecer a feira e movimentam o nosso dia a dia”, conclui.
Já no sábado a mesma virada aparece nos relatos de quem vende doces, mel e produtos da roça. Adriana Michaito dos Santos credita o movimento crescente a um trabalho de divulgação que finalmente colocou a feira no radar de quem antes não frequentava o espaço. “O pessoal está conhecendo, a divulgação tem sido excelente e o faturamento aumentou bastante”, afirma.
Vindo de Luzerna para vender na feira, Amilton Antunes da Silva, sócio-proprietário da Delícias Favos de Mel, percebe o efeito em cadeia: quanto mais expositores chegam, mais gente a feira atrai — e mais todos vendem. “O aumento no volume de feirantes atrai mais pessoas, gerando um reflexo expressivo no faturamento”, relata.
No setor de hortifrúti, o produtor rural Sérgio Marcos Zancanaro, de Santa Clara, à frente dos Orgânicos Zancanaro, traduz o novo fluxo de visitantes em números concretos na roça. “Com o aumento de fluxo, conseguimos perceber claramente o crescimento das vendas”, pontua.
Um case que começou com um plano do Sebrae/SC
No fim do dia, quando as bancas começam a esvaziar, o que fica é mais do que o cheiro de cuca fresca no ar: fica a evidência de que capacitação, organização e estratégia — o tripé sobre o qual o Sebrae/SC construiu esse projeto — transformam, na prática, a economia de uma cidade. Com o suporte técnico da instituição e o engajamento de quem faz a feira acontecer todos os dias, a Feira Livre de Joaçaba se firma como um case de sucesso do desenvolvimento econômico local, unindo sabor, tradição e novas oportunidades de mercado.
Reportagem: Éder Luiz Comunicação/Assessoria de Imprensa Sebrae/SC
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